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terça-feira, 18 de outubro de 2011

Equilibrando o ideal com o possível

Por Caren Baraúna, Larissa Mahall e Samara Silveira


O contexto histórico na mudança do sentido e agenda em expansão, mantendo-se a visão crítica de Patrícia Ferreira Ashley com adicionais de Rodrigo Abinader, Genilson Figueira e Soraya Nurieh, vislumbra-se a trajetória conceitual e prática da Responsabilidade Social Empresarial (RSE) e como o Brasil a conheceu e vem adentrando nesse campo de erros e acertos.

No início do sec. XX a questão do “socialmente responsável” não era vista com bons olhos pelos acionistas das grandes empresas. Para eles, essa questão cabia apenas ao governo e as organizações privadas deveriam concentrar-se apenas em seus próprios negócios. Depois da Primeira Guerra Mundial e da Grande Depressão esse contexto foi modificado: os empresários passaram a investir em ações filantrópicas. Atualmente os gestores entendem que, a Responsabilidade Social deve ser pensada como estratégia para o desenvolvimento das empresas.

A RS pode ser pensada de duas formas. A primeira, a RS ética, as ações são executadas, pois é o certo a se fazer, ou seja, o socialmente responsável deve ser exercido. A segunda é a RS instrumental, em que as empresa só realizam essas atividades porque isso traz retorno financeiro e de imagem, isto é, o pensar e agir são motivados pelos benefícios que ela (RS) pode trazer a empresa. Esse último conceito talvez seja o mais utilizado, uma vez que muitas organizações acabam incutindo em seus produtos o preço de ser “Socialmente Responsável” e apenas repassam esse “extra” que o consumidor paga aos programas de RS.

No mundo capitalista contemporâneo, a abordagem para a Responsabilidade Social Empresarial é planejada com base da porcentagem de lucro e não no capital vindo da produção. Essa assertiva diz muito do pensamento de muitas empresas que vêem e fazem o “social” como objetivo secundário, não estando enraizado na cultura organizacional.

O correto a se pensar é que a Responsabilidade Social está ligada ao comportamento social e ambiental em que, nesse contexto, a empresa deveria ter. Porém, a realidade é outra, a RSE está representando as questões econômicas, isto é, as organizações estão pensando em receber financeiramente (visando o lucro), o que foge completamente dos princípios de RS os quais visão, primeiramente, agir socialmente e “não receber algo em troca”.

A Associação dos Dirigentes Cristãos Empresariais- ADCE, no Brasil, foi a pioneira em realizar projetos de cunho social, na década de 70; estabelecendo compromisso com a empresa, públicos e sociedade. É importante destacar que como primeiro passo, essa iniciativa teve dificuldades de compreender o que é RSE, afinal essa prática surgiu no exterior (cultura, hábitos, política diferente) e foi importada para cá. No entanto, o conceito real de RS só vem sendo discutido com mais efetividade e produção acadêmica na última década.

O surgimento das empresas fiscalizadoras e certificadoras de ISO aumentou a difusão das RSE e o interesse dos empresários em terem uma empresa “legal e social” perante aos seus públicos. Por outro lado, elevaram-se também os debates, pesquisas, produções científicas para área a fim de refletir e iluminar a temática da RS nas universidades e centros de pesquisas.


Nota-se que os empresários do país vêm buscando adotar práticas sociais mais responsáveis, no entanto é preciso ressaltar que a Responsabilidade Social não se restringe às ações filantrópicas, ela abrange um conceito mais amplo e mais efetivo que deve sempre levar em consideração o equilibrando o que deve ser feito com o que a organização pode realizar.

E como trabalhar com isso? Equilibrando o ideal com o possível.

Referência:

LIMA, Paulo Rogério dos Santos; ALIGLERI, Lilian; BORINELLI, Benilson; ASHLEU, Patrícia Almeida. O contexto histórico na mudança do sentido e a agenda em expansão: mantendo-se a visão crítica. In: ASHLEY, Patrícia Almeida. (ORG.). Ética e responsabilidade social nos negócios. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2005. p.44-92.

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